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Resiliência urbana: definir para avaliar. [Urban resilience: defining to avaluate]

Resumo

As crises tomaram de assalto a actualidade. Instaladas confortavelmente em muitas cidades (e espreitando a possibilidade de registar morada noutras tantas), a recessão económica pôs a descoberto a divida pública e os processos que a geraram, fez emergir o discurso da austeridade, instituiu a gestão a partir de “planos de estabilidade e crescimento” e legitima-se falando de “acções de resgate”.
Nas diferentes intercepções do espectro socio-económico-ambiental, prolifera um racional comandado pela busca de equilíbrio, estabilidade, retorno/restabelecimento de um estado de “normalidade”. Esta lógica de equilíbrio/estabilidade/normalidade estende-se ao discurso científico que é produzido no plano da gestão de recursos, nomeadamente a que deriva da estrutura de pensamento subjacente ao conceito de sustentabilidade.
Num contexto de aumento dos episódios de turbulências (natural/ biofísica/económica/social…) que coloca estados, regiões, cidades, sectores, empresas e famílias sob pressão, cresce, na mesma proporção a necessidade de aprofundar análises que permitam identificar as condições de que se devem dotar os territórios urbanos para suportar perturbações sem colapsar capitalizando as competências que advêm da superação das pressões de variada ordem. É este o foco do conceito de resiliência evolutiva que procuramos clarificar neste texto.
Falaremos de uma pista analítica que tende a incorporar a crescente complexidade das interligações nos socio-ecossistemas, a sua capacidade de auto-regulação, a necessidade de manter redundâncias (ineficiências), a existência de múltiplos equilíbrios possíveis e, sobre tudo isto posiciona-se a premência da análise multi-escalar.
Refira-se que o campo da geografia tem descorado a adopção do referencial teórico da resiliência. Só recentemente a ciência regional e a geografia económica tem desencadeado esforços para operacionalizar os desenvolvimentos teóricos da resiliência, quer pelo lado da abordagem mais próxima da engenharia (retomar as trajectórias de origem), quer pela concepção da biologia (procurar novas posições de equilíbrio, eventualmente adoptando novas trajectórias) e mais recentemente, indagando as dimensões que permitem períodos longos e ininterruptos de desenvolvimento (dita resiliência evolutiva).
A ideia de resiliência, na perspectiva evolutiva, é assim mais facilmente aceite pela geografia económica onde têm relevo autores como BOSCHMA & MARTIN (2007; 2010A); SIMMIE & MARTIN (2010). Admite-se o racional de que os grandes choques podem comportar uma componente formativa observável nos padrões de mudança que os espaços económicos desenham com o passar dos tempos. Relaciona-se o crescente interesse por esta componente da resiliência com a crise financeira e sequente crise económica, iniciada no verão de 2008. Neste contexto o referencial da resiliência apresenta utilidade quer pela observação do comportamento das diferentes regiões á crise em si mesma, quer na apreciação dos impactes que a implementação de políticas de austeridade têm produzido em economias locais.
Tendo por base uma revisão bibliográfica, reforçada por uma análise a um conjunto de projectos de investigação empírica, procurar-se-á responder a três propósitos, que traduzimos em três questões:
i) qual a estrutura do conceito de resiliência urbana?
ii) até que ponto importa reforçar/rever o referencial da “sustentabilidade”, incorporando os princípios discutidos no quadro teórico da “resiliência”?
iii) quais as metodologias mais viáveis para avaliar a resiliência urbana?

Palavras-chave: resiliência urbana; vulnerabilidade; sustentabilidade

Carlos Gonçalves

Publication
Conference Name:
Geografia & Política, Políticas e Planeamento
Year of Publication:
2013
Gonçalves, C. (2013). Resiliência urbana: definir para avaliar. [Urban resilience: defining to avaluate]. In Geografia & Política, Políticas e Planeamento.
Identifiers
ISBN Number:
978-989-8648-03-7
Other Numbers:
16456306
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