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Processos de Erosão Acelerada na Região Demarcada do Douro: um património em risco

A paisagem é o resultado da interacção entre o meio físico e as sociedades humanas. A paisagem reflecte a forma como os elementos naturais reagiram e continuam a reagir, num processo complexo, dinâmico e a várias escalas, face à actuação antrópica. A actual organização territorial resultou de um processo de apropriação, ao longo do tempo, por parte de comunidades que em função dos recursos naturais oferecidos pelo meio, de opções éticas, políticas, económicas, assim como do seu nível tecnológico, foi sobre ele actuando. Mas, para além de uma perspectiva existencial o território pode ser analisado na sua componente física e organizativa (SCHWARZ, 1991). A vertente física do território é de um interesse fundamental pois compre-ende as configurações territoriais. As características naturais do território condicionam os diferentes tipos de uso de solo que, por sua vez, influenciam a configuração das propriedades materiais. Mas compreender as configurações territoriais não significa apenas descrevê-las de um ponto de vista morfológico. Importa conhecer a sua lógica organizacional, isto é, os factores que lhes estão subjacentes. Assim, para compreender a dinâmica territorial, importa integrar os três níveis de análise referidos, isto é, tomar em consideração o conjunto das interacções entre o projecto do grupo sobre o seu território (nível existencial), as configurações territoriais (nível físico) e o funcionamento do grupo social (nível organizacional). Nesta perspectiva o estudo do meio físico não pode apenas ser encarado como suporte das actividades humanas, mas como uma componente do território tal como a organização social ou sistema económico (L. P. MARCHAND, 1980). A definição de estratégias de desenvolvimento, implica cada vez mais uma abordagem global, pelo que é necessário realizar um diagnóstico à micro-escala, abarcando aspectos socioeconómicos, agro-florestais, culturais e ambientais. As principais ameaças antrópicas, que colocam em perigo a integridade e a renovação da biosfera, têm impactos a diversos níveis. As leis, os tratados e a pró-pria tecnologia serão insuficientes para deter os seus efeitos destruidores. Antes de mais, é necessária uma revolução de mentalidades e comportamentos de forma a construir uma nova relação entre o Homem e a Terra. Podemos, então, considerar, entre outros, os seguintes problemas ambientais dos quais dependem o futuro do Homem e da Biosfera: – Degradação das camadas superficiais do solo por erosão e a sua consequente deterioração qualitativa; – Diminuição e degradação da água doce, quer superficial quer subterrânea; – Contaminação da biosfera (ar, água, solo, e seres vivos); – Destruição das formações vegetais quer seja por desflorestação – nomeada-mente das florestas equatoriais – quer por desertificação – com especial relevo para as estepes das regiões semi-áridas ou das formações mediterrâneas;-Destruição dos habitats naturais decorrente dos problemas atrás mencionados, mas também pela construção de barragens, cada vez de maiores dimensões, pela canalização e desvio dos cursos de água, pela acção de drenar e secar lagos, estuários, e, ainda, pela expansão da urbanização, industrialização e da agricultura tecnológica; – Perda da variedade e diversidade biológica

Márcio Martins

Publication
Year of Publication:
2004
Martins, M. (2004). Processos de Erosão Acelerada na Região Demarcada do Douro: um património em risco. In .
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24429974
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